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Mochilão

Desapego e Mochilão!

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Desapego e Mochilão: Uma experiência que todo ser humano deveria experimentar pelo menos uma vez.

Aqui estamos nós novamente, saudações lisérgicos e loucos psicodélicos e doces e outras paparicações mais pra mostrar o quanto valorizo cada um de vocês, por que né, vocês são meus patrões [risos]

Mas bom, hoje, estarei dando uma pequena reflexão sobre algo que marcou muito minha vida e que acho que é algo que todos deviam passar, mesmo que em pequena escala; Desapego e Mochilagem.

Estar disposto à largar a vida ‘civilizada’ contemporânea, nem que apenas por uns meses e se jogar no mundo, sem nada mais do que se pode carregar numa mochila e abrir os braços para as infinitas possibilidades de um intercâmbio cultural, dentro ou fora do seu país de origem, é algo que muitos querem, poucos levam à frente e menos ainda, conseguem.

Os momentos mais difíceis, (sim, vou começar a falar sobre eles), foram os de decisão. É muito assustador nos primeiros momentos saber que você não tem mais nada além do que pode carregar. Que você não é ninguém além do que conseguir se tornar e provar. Que o mundo é maior que dá pra entender nos livros e filmes, e que você é apenas mais um, no fim das contas, num mar humano.

Cada um com suas ideias, planos, preconceitos, tristezas e alegrias, jornadas e comodismos, perfeições e imperfeições, anjos e demônios.

Uma das primeiras coisas que precisa se preparar é a se privar de muita coisa, na verdade, de quase tudo que tem, tinha ou teria, se continuasse sua vida normal. O conforto de uma cama todas as noites, uma refeição apropriada sempre que sentir fome, uma conversa sempre que se sentir só, o contato com as pessoas de quem mais gosta… tudo isso e uma infinidade de coisas mais seriam postas de lado.

E o esforço? A cara e a coragem? Sim, é preciso muito. Andar é uma das coisas que mais fará. Claro que pode conseguir se deslocar pedindo carona, (um clássico da mochilagem), fazer artes para ganhar dinheiro pra se locomover e manter na estrada, pedir (outro clássico da mochilagem), e claro, os meios ‘ilegais’, (que eu usei pra caralho!); pongar (entrar escondido/pular) em cargas de caminhão em paradas, clandestino em navios e afins. É uma vida que a ‘normal’, repudia, pela sua liberdade e modos primitivos de sentir, mais naturais e simples. Pra se obter conhecimentos e experiências que só lia nos livros de ficção e aventura.

Mas veja, isso não é de agora e não somos os que iniciaram isso, essa sociedade jovem alternativa contemporânea, anos 80’s/90’s…

No século 18, na Europa, nobres começaram a fazer peregrinações deixando tudo o que tinham, com uma mochila de pele de texugo, quase sempre, com algumas mudas de roupas, alimentos pra algumas refeições, livros de história, filosofia, poesia e religiosidade indo atrás do conhecimento e experiências que o Grand Tour, como mais tarde foi chamado, poderiam proporcionar. Os destinos eram variados, mas num geral, como diz o dito popular; ‘todos os caminhos levam à Roma’! A capital italiana era um berço de cultura intelectual muito conceituada e abrangente, com a promessa de novidades e descobertas em cada esquina e pedra de rua. Mas não era a única, Suíça, Espanha, França e Alemanha, muitos saindo da Inglaterra.

Foi em 1670, um inglês chamado Richard Lassels, cunhou a expressão ‘Grand Tour’ em seu livro An Italian Voyage (‘Uma Viagem Italiana’, inédito em português), para descrever esse tipo de aventura. A ideia de que viajar era uma das melhores formas de adquirir conhecimento, a partir daí, crescia cada vez mais. O poeta e naturalista, Johan Wolfgang von Goethe decidiu que comemoraria seus 37 anos de forma diferente. Ao invés de festejar com os amigos, pegou sua mochila (como a já descrita acima) e deixou para trás Karlsbad, na Alemanha, sua terra natal. Naquele 1786, ele corria atrás de um sonho, comum aos homens ricos de sua época: fazer a viagem que acabaria em Roma, e, assim, se tornar um sujeito mais culto. A ideia não tinha muito de nova: já tinha sido lançada fazia mais de 100 anos, mas a aventura teve no chamado Século das Luzes seu apogeu. Uma aventura que equivalia na época ao nosso intercâmbio.

Goethe já era um homem de sucesso – e, cá entre nós, um tanto ‘velho’ pra a aventura, não que tenha limite de idade, claro – quando resolveu fazer o Grand Tour. Seu livro O Sofrimento do Jovem Werther tinha sido lançado fazia 12 anos e era considerado um dos pilares do Romantismo. Mesmo assim o poeta (que era também arquiteto, conselheiro do Estado e ministro do duque da Saxônia) dedicou quase dois anos de sua vida à viagem.
O objetivo, em si, quase não mudou: adquirir conhecimento e experiências, se tornando um ser melhor, dentro de seus limites. Isso, meus amigos e caros leitores-barra-curtidores, é mochilar. Uma arte liberal, centenária, da qual se pode tirar muitas experiências boas e conhecimentos que vão mudar seu modo de ver, sentir, agir e existir, nesse mundo, afetando e mudando sua vida, como a das pessoas que você influenciar, positivamente e negativamente.
Acho, digo novamente, que todos devíamos ter essa experiência ao menos uma vez na vida, pra nos lembrarmos o que somos, descobrir quem somos e expandir o que podemos ser!

 

Um grande abraço pra todos vocês e a PMDE, como família, só existe por que vocês são membros desta e a fazem viver e respirar arte e vida, todos os dias! Namastê

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