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Ciência

Ketamina como tratamento relâmpago para a depressão

ketamina

Segundo os cientistas do National Institute of Health em Bethesda, Maryland, nos Estados Unidos, os efeitos benéficos da ketamina foram sentidos em menos de duas horas e duraram cerca de uma semana.

Sob a forma de pó, a Ketamina pode ser cheirada (o famoso ‘dar um bump’) ou adicionada a bebidas não alcóolicas. Pode ser fumado se o pó for misturado a maconha ou cigarro. O pó de ketamina pode também ser misturado a água e injetado num músculo (mas nunca numa veia).

O estudo foi publicado na revista Archives of General Psychiatry. A maioria dos tratamentos atuais para depressão demora semanas e até meses para aliviar os sintomas. A droga ketamina é um poderoso anestésico usado em humanos e animais. Também usada como droga recreativa.

Para o estudo, os voluntários foram injetados alternadamente com ketamina ou com um placebo. Os pesquisadores mediram os índices de depressão dos participantes minutos, horas e dias após as injeções.

O coordenador da pesquisa, Carlos Zarata Jr., disse:

“Dentro de 110 minutos, a metade dos pacientes que receberam ketamina mostrou uma diminuição de 50% nos sintomas”.

No final do primeiro dia, 71% dos voluntários mostraram sinais de melhora. E 29% deles ficaram livres de sintomas. Os pesquisadores também descobriram que, para mais de um terço dos participantes, o efeito de uma dose durou ao menos uma semana. Muitos antidepressivos atuam sobre substâncias presentes no cérebro como a serotonina e a dopamina, mas seu efeito só começa a ser sentido depois de várias semanas.

Os pesquisadores americanos acreditam que a ketamina tem um efeito mais rápido porque age sobre uma proteína diferente, o receptor NMDA, que estaria associada ao aprendizado e à memória.

Mas, segundo os cientistas, a droga não poderia ser usada na forma atual por causa dos efeitos colaterais de doses altas, entre eles, alucinações e euforia.

“Esse estudo é um instrumento para nos ajudar a entender qual parte da ketamina está causando o efeito, para que possamos refinar e desenvolver drogas melhores”, disse Zarate.

“Estamos também procurando formas de usar a ketamina, talvez em doses mais baixas ou em conjunto com drogas que bloqueiem seus efeitos na percepção, para que possamos administrá-la clinicamente”, acrescentou.

Comentando o estudo, o professor de toxicologia John Henry, do hospital St. Mary’s, em Londres, disse que o estudo é promissor.

Para ele, uma droga de efeito mais rápido traria muitos benefícios.

“As pessoas poderiam voltar ao trabalho mais rápido, e (a droga) também reduziria o risco de suicídio e auto-abuso”, disse.

 

Referências Bibliográficas

ZARATE, Carlos A. et al. (2006). A randomized trial of an N-methyl-D-aspartate antagonist in treatment-resistant major depression. Archives of general psychiatry, v. 63, n. 8, p. 856-864.

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