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Maconha

De planta assassina à erva medicinal: a maconha

maconha

Os estudos sobre os benefícios da utilização do THC na medicina avança mais um pouco no Brasil e no mundo.

A Maconha

Anos antes de filme “Loucura” (Reefer Madness) trazer uma compreensão histérica da maconha nos EUA, o público foi presenteado com o curta mudo “High on the Range,” de 1929. A história mostra Dave, um fazendeiro ingênuo que se torna um assassino depois de fumar menos de um baseado inteiro.

Alguém imaginaria, na época, que muito menos de um século depois a mesma planta assassina seria estudada quanto aos seus benefícios? O PMDE publicou recentemente um texto sobre 2017 ser o ano da revolução psicodélica, mas também é o ano de medicina avançar em todos os aspectos do uso de drogas consideradas ilegais, como a maconha. No Brasil, em janeiro de 2014, a Anvisa colocou o canabidiol na lista de substâncias permitidas. Estima-se que cerca de 2.000 pessoas no país fazem uso da maconha medicinal a partir de extratos de maconha importados e artesanal. Ter a autorização, porém, não significa acesso.

Por isso que, junto com a boa notícia, surgiu o FarmaCanabis, um projeto criado pela professora da UFRJ Virgínia Carvalho, pós-doutora em toxicologia pela USP, para ajudar as famílias através de um laboratório que analisa gratuitamente os teores de canabinóides como THC, THCA, CBD, CBDA e CBN nos medicamentos importados e produzidos pelas famílias brasileiras. Uma análise fundamental para que as famílias avaliem e desenvolvam junto com médicos e cientistas um tratamento seguro e eficaz para os seus filhos e mais um passo para a medicina.

Nos EUA, pesquisadores estudarão a utilização de maconha medicinal como alternativa a remédios que combatem a dor. Está se quebrando, pouco a pouco, a mitologia que cerca as substâncias ainda consideradas ilegais em boa parte do mundo.

O Instituto Nacional de Saúde (National Institutes of Health, em inglês) concedeu aos pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein e do Sistema de Saúde Montefiore uma doação de US$ 3,8 milhões para o primeiro estudo à longo prazo para testar se a maconha medicinal reduz o uso de opiáceos em adultos com dor crônica, incluindo aqueles com HIV.

Muitas pessoas tomam opioides prescritos, como o Oxicodona, para ajudar a aliviar seus sintomas, mas, considerando a quantidade de efeitos adversos e seu uso indevido (esta classe de remédios é usada principalmente na terapia de dor crônica e dor aguda), médicos e pacientes buscam alternativas seguras e eficazes para gerenciar a dor.

“Há uma falta de informações sobre o impacto da maconha medicinal sobre o uso de opiáceos em pessoas com dor crônica”, diz Chinazo Cunningham, chefe associado de medicina interna geral em Einstein e Montefiore. “Esperamos que este estudo preencha as lacunas e forneça aos médicos e pacientes uma orientação muito necessária”.

Em comparação com a população em geral, a dor crônica e o uso de opiáceos são ainda mais comuns em pessoas com HIV. Entre 25% e 90% dos adultos norte-americanos com HIV sofrem de dor crônica. Estudos anteriores relataram que, apesar do alto risco de uso indevido de analgésicos opioides, estes remédios continuam sendo administrados, mas nos últimos anos, a maconha medicinal ganhou reconhecimento como opção de tratamento.

Os pesquisadores nunca estudaram – em qualquer população – se o uso de maconha medicinal ao longo do tempo reduz o uso de opioides. Além disso, não há estudos sobre como os compostos químicos específicos de maconha, tetra-hidrocanabinol (THC) e canabidiol (CBD), afetam resultados de saúde, como dor, função e qualidade de vida. A maioria dos estudos que relataram efeitos negativos do uso de maconha a longo prazo tem foco na maconha ilícita e não médica.

O Dr. Cunningham irá inscrever 250 adultos HIV-positivos e HIV-negativos com dor crônica que usam opioides e que receberam a certificação de seus médicos para usar maconha medicinal, que é fornecida através de dispensários aprovados no Estado de Nova York. Ao longo de 18 meses, os sujeitos do estudo completarão questionários online a cada duas semanas. Eles também fornecerão amostras de urina e sangue a cada três meses. Além disso, entrevistas em profundidade com um grupo seleto desses participantes irão explorar suas percepções de como o uso de maconha medicinal afeta o uso de opioides.

De 1929 a 2017, a maconha ganhou uma maior representatividade, não apenas cultural – que já se observa desde a década de 60/70 -, mas também medicinal. Passos lentos para  uma sociedade que evolui cheia de crenças e tabus, mas um dia a gente chega lá.

Imagem em destaque retirada do site EarthMed.

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