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Erotismo

Noite de gala: um delicioso encontro

delicioso encontro

Aquele delicioso encontro

É um solar. Estamos num enorme salão de baile, entre pessoas em trajes de gala, garçons e lustres de cristal. Eu te avisto, perto do piano, às gargalhadas, com um casal bonito. Quero ir na tua direção mas, quando me movo, sinto o peso do vestido e a altura do salto, que me pegam de surpresa. Vejo minhas mãos: unhas cor de ostra e um anel de diamantes.

Um passo para frente, levantando a saia em camadas de renda e seda, e tudo está bem. Vou vencendo as rodas de conversa até quase te alcançar. Tu ainda não me viste. As pessoas me cumprimentam com entusiamo enquanto corto o ambiente. Um homem animado põe a mão na minha cintura e me puxa para dançar, mas eu me desvencilho rápido e sigo em frente.

Quando eu surjo atrás do casal na tua linha de visão, teus olhos brilham pra mim e já temos um acordo. Eu saio pela porta secundária, a que dá para as escadas. Subo dois lances com o salto altíssimo, tac, tac, tac. Depois, mais dois. Só quando estou no terraço ouço de longe a porta abrir e fechar lá embaixo, e em seguida os teus passos rápidos escada acima.

Tu apareces no patamar. Black tie combina contigo. Frio na espinha. Sem nenhuma cerimônia, tu caminhas os dez metros na minha direção. Beijamos o beijo mais esperado de todos e, me segurando pelos ombros (metade das tuas mãos sobre a minha pele, metade, sobre a renda do vestido) tu giras o meu corpo em meio círculo, até eu estar de costas.

Depois, pegas as minhas duas mãos e as apoias na murada, buscas meus quadris para ti e te ajoelhas sob a minha saia pesada. Eu sinto a tua língua e os teus lábios nos meus lábios, enquanto me equilibro sobre o salto com a bunda arrebitada. O vestido está enrolado na cintura, todo suspenso agora, e eu escuto com deleite o som da tua boca na minha água.

Quando teus lábios se fecham e me sugam, já é tarde para resistir, e eu sinto que posso cair a qualquer momento.
A onda de choque sobe pelo ventre, meus olhos não ficam abertos e eu me sinto girar. É uma sensação tão sublime que eu quero dividir contigo, e então te puxo lá de baixo pelos cabelos (tu passas por entre as minhas pernas e paras na minha frente; teu corpo contra a murada) e abro a minha boca sobre a tua. Meu gosto na tua pele e o calor da tua saliva me põem em estado de alerta: é de novo, e a qualquer momento, apesar de aquele mal ter acabado.

Na ânsia de te tocar inteiro, durante o beijo eu bagunço tua roupa e vou abrindo a calça pra sentir logo o cheiro e o gosto, porque agora é tudo o que eu mais desejo. Eu desço. Te ponho todo até o fundo da garganta e aí sai de ti um ganido surdo, entre alívio e lamento. Olho pra cima, e tu me olhas de volta. Começo um movimento longo, da base à ponta, sempre ritmado, explorando as tuas reações e temperaturas com a minha língua. O gosto salgado pegajoso me avisa que vai começar e, por maldade, eu paro.

Te empurro para uma das cadeiras do jardim suspenso e, agarrando o vestido, eu sento sobre as tuas pernas. Aquele tanto de pano nos cobre, tuas duas mãos cravadas na minha pele: a direita na bunda, a esquerda que aperta meu braço. Eu esfrego minha cara em ti como se eu fosse um gato. Eu subo e desço te sentindo me espalhar, separar a carne, bater no fundo a cada encontro. Eu te tenho dentro de mim por completo. Nós falamos a linguagem dos olhos porque não há energia para dizer nada. Nem raciocínio.

O que estamos fazendo é puro instinto de satisfação. Reclama urgência e entrega total. E é isso: uma das descidas no teu colo resulta nas tuas sobrancelhas franzidas e na boca semi-aberta, e nesse átimo eu te percebo ir pra outro estágio de consciência. Teu coração vai explodir. As veias latejam em todo teu corpo. Tua face assume uma expressão de aflição e depois abandono completo, e eu forço um pouco mais a descida, de um jeito que a pressão muda de centro. Isso dispara em mim uma onda de rigidez, calor e depois um delicioso levitar. Eu me largo sobre o teu corpo e ficamos ali, molhados e satisfeitos, recuperando o fôlego, pra recomeçar.

 

Texto: Vivian Solari

Contato: euviviansolari@gmail.com

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