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Alternativa

Seu “Meia Noite”, a garrafa é sua!

Eu gostaria de dizer que nunca cumpri as regras, que sempre fui eu mesmo, rebelde e atrevido e intrépido e irresponsável. Eu gostaria. Só que não. Eu sou apenas um sujeito meio nervoso. Se me empurrar, fica mais difícil de me tirar do lugar. Isso é certo. O por quê disso, não sei.

Nunca me obriguei estudar matemática. Nunca me obriguei comer ninguém. Nunca briguei com o fato de ser o mais baixinho no elenco.

Alguns domingos atrás fui á feira de São Cristovão, a feira dos paraíbas, como se diz, aqui no Rio. Lá tem carne de sol, macaxeira, paçoca e etc. Claro que não se compara com a comida de Natal RN. Mas que tem, tem! Tudo isso pede uma boa cana. Lá tem “Serra Limpa”, cachaça da Paraíba, boa que só o cangote da Ingred. Só que eu não queria beber, só que eu comprei e bebi. Por quê? Não sei. Saquei que havia uma obrigação nisso. Logo eu, que detesto obrigações. Fiquei puto. Num diálogo silencioso, um tanto esquizofrênico comigo mesmo, me chamei pra porrada. Se eu não queria, por que bebi? Como se o mundo fosse acabar amanhã ou como se minha filha não estivesse mais no mundo (benza-me Deus).

Pois bem, voltei á minha infância e disse a mim mesmo: “Duvido você parar de beber.” Essa coisa de duvidar da minha coragem já me custou muito caro. Estava na hora de ter algum ganho com essa minha arrogância e teimosia.

Não sou chegado á moral e aos bons costumes e sempre defenderei o direito do camarada escolher o seu jeito de viver e morrer. Também não tenho nenhum conselho á dar. Não dou porque não sei. Talvez eu tome um trago no natal, sei lá. A obrigação que tenho é pagar minha contas. O amor não é obrigação. Nem viver é. Mas já perdi meu pai e não quero perder minha filha.

Seu “Meia Noite”, devolvo a sua garrafa com todo respeito que o senhor merece. Minhas sinceras desculpas se pareceu, de minha parte, uma disputa com o senhor para saber quem bebe mais. Há muito tempo atrás o senhor disse que iria ser premiado porque eu era um pinto que cantava de galo. Pois bem, seu “Meia Noite”, hoje eu sou um galo e não quero cantar de pinto.

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